São Paulo, 30 de Julho de 2010
 
 
 
 
  SEMINÁRIOS 2010
 
     
TAXA DE JUROS DEVE CONTINUAR EM QUEDA, DIZ HENRIQUE MEIRELLES

Presidente do BC, que participou do Fórum Empresarial promovido pelo LIDE em Comandatuba, afirma que os desafios macroeconômicos do Brasil já foram superados

Comandatuba, 22 de abril de 2010 - A queda da taxa de juros básicos da economia brasileira é uma tendência, disse nesta quinta-feira o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, durante sua exposição no 9º Fórum Empresarial LIDE, evento que reúne cerca de 320 participantes, entre empresários e autoridades, no hotel Transamérica, em Comandatuba, na Bahia. Sem citar projeções, Meirelles afirmou que a maneira mais eficiente de se reduzir a taxa de juros na ponta (ao consumidor final) não é interferir na Selic – que é uma ferramenta do Banco Central para manter as metas de inflação -, e sim incentivar a competição entre as instituições que concedem crédito.

“Temos que aprovar normas e leis para estimular a competição. É importante termos o cadastro positivo, que facilite a vida para quem tem um bom histórico de crédito”, afirmou Meirelles.

Para o presidente do BC, a previsão de crescimento para o Brasil, feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), de 5,5% para 2010, foi “conservadora”. “Nossa previsão é crescer 5,8% este ano”, afirmou Meirelles, acrescentando que, apesar das expectativas otimistas, não há risco de descontrole da inflação.

Meirelles, que durante sua apresentação citou diversos números que tratam dos avanços da economia brasileira nos últimos anos, avaliou que os desafios do País na área macroeconômica já estão resolvidos. Ele citou, por exemplo, a adoção de metas de inflação, do câmbio flutuante e o atual nível das reservas internacionais brasileiras, atualmente na casa de US$ 246 bilhões. “Agora temos que dar prioridade aos desafios de longo prazo”, disse o presidente do BC.

Ao ser questionado sobre investimentos futuros em infraestrutura no Brasil, Meirelles disse que é preciso a combinação de três fatores para estimular projetos deste tipo: crescimento econômico e estabilidade, o aumento da taxa de poupança dos setores público e privado, e financiamento externo. “Hoje há oferta grande de investimentos estrangeiros. Faltam projetos e interlocução. O Brasil está atraente para investidores de longo prazo. Precisamos de projetos viáveis. O importante é a manutenção da confiança de que esta trajetória de estabilidade continuará”, explicou. O Banco Central prevê que o Brasil receba este ano R$ 45 bilhões em investimentos estrangeiros.

Meirelles afirmou também que a tendência para o dólar nos próximos meses vai depender do desempenho da economia norte-americana – dívida pública e inflação - e também da China, que já anunciou que não irá valorizar sua moeda. “Há duas tendências. Em uma delas, o Real faz parte de um grupo de moedas diferente do passado, de países vulneráveis e sensíveis ao risco. Hoje é um grande produtor de commodities. Quando sobe o preço das commodities, o Real sai valorizado. Do outro lado, se o déficit em conta corrente crescer em ritmo superior ao investimento estrangeiro direto, isso irá demandar ajuste de câmbio, com depreciação do Real. Não existe uma tendência unidirecional. Muitos exportadores perderam apostando nisso. As tendências são contraditórias”.

Entre os dados mais recentes da economia citados por Meirelles durante sua apresentação, estavam a criação de aproximadamente 600 mil empregos formais no primeiro trimestre do ano e as vendas recordes de automóveis no mês de março, “que deve ser o melhor mês da história”, afirmou. Além disso, a classe de renda média, que em janeiro representava 30% da população brasileira em 2003, passou para 54% em janeiro de 2010. Neste período, apontou o presidente do BC, 25,9 milhões de pessoas passaram a fazer parte da classe média brasileira.
GERDAU DEFENDE PARCERIA DO SETOR PÚBLICO COM EMPRESÁRIOS

Durante exposição no Fórum de Comandatuba, executivo diz que gestão dos recursos é a melhor saída do que aumentar carga tributária

Comandatuba, 22 de abril de 2010 - O presidente do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, defendeu nesta quinta-feira a adoção de ferramentas de gestão pelos governos federal, estaduais e municipais, como forma de obter melhores resultados. “Não é fácil e nem politicamente agradável, mas não é mais viável aumentar a carga tributária para obter mais receitas. É preciso gerir melhor os gastos públicos”, afirmou Gerdau, que participou do 9º Fórum Empresarial promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (LIDE) em Comandatuba, na Bahia.

Segundo Gerdau, cuja exposição teve como tema “Ética e Eficiência na Gestão Pública”, o setor público precisa estabelecer e analisar metas de 10 a 20 anos, e não visar apenas o período de gestão de cada mandatário. “Os empresários têm que participar e se envolver no processo da vida pública”, defendeu o executivo. “Como poderemos competir com a Coréia se aqui as crianças ficam, em média, apenas quatro horas por dia na escola? Nosso papel é decisivo para acabar com milhões de excluídos. Precisamos de uma relação de construção conjunta com o setor público.”

O professor Vicente Falconi, sócio-fundador do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG), que também participou do evento, ponderou que esse tipo de parceria já rendeu bons resultados, como foi o caso do governo do Estado de Minas Gerais e da Prefeitura do Rio de Janeiro. No primeiro caso, o governo mineiro conseguiu atingir o equilíbrio fiscal em apenas um ano e meio; no segundo, a gestão municipal fluminense aumentou a arrecadação de ICMS consideravelmente em dois anos sem aumentar a carga tributária, apenas combatendo a sonegação.

“Redução de custos, no caso do setor público, significa redução de desperdício”, afirmou Falconi. “Hoje a prioridade de estados e municípios é o equilíbrio fiscal. Em um segundo momento, a prioridade deve ser saúde, segurança e educação. Este será o verdadeiro momento de produtividade”, acrescentou.

Um dos problemas deste tipo de parceria, segundo Falconi, está na instabilidade. “Com as eleições, há o risco de os eleitos mudarem o que foi feito. É preciso trabalhar a máquina burocrática”, disse.
ATRASO EM OBRAS PODE EXCLUIR CIDADES DA COPA DO MUNDO, DIZ ORLANDO SILVA

Ministro participou do 9º Fórum Empresarial de Comandatuba, promovido pelo LIDE

Comandatuba, 23 de abril de 2010 - As cidades brasileiras programadas para receber jogos da Copa do Mundo de 2014, que não cumprirem os prazos das obras em seus estádios, poderão ser excluídas do evento pela FIFA, disse nesta sexta-feira o ministro do Esporte, Orlando Silva, convidado do primeiro debate do dia do 9º Fórum Empresarial de Comandatuba. O evento é promovido pelo LIDE e reúne cerca de 320 participantes, entre empresários e autoridades.

“Se a cidade não cumprir o prazo de início de obras no dia 3 de maio, corre o risco de ser excluída da Copa de 2014”, disse o ministro, referindo-se às determinações da FIFA. Isso significa que, ao invés de 12 cidades, o Brasil poderá sediar o evento com apenas oito. “São apenas oito grupos de seleções, portanto apenas oito seriam necessárias. Decidimos expandir para 12 cidades para que todas as regiões pudessem receber os jogos.”

O dia 3 de maio, na verdade, é o segundo prazo estabelecido. O primeiro venceu em 31 de março e uma parcela considerável das 12 cidades ainda não deu início às obras. O BNDES já disponibilizou uma linha de financiamento no valor de R$ 400 milhões para a reforma de estádios. Segundo Orlando Silva, a preocupação com a demora nas reformas tem uma razão financeira: com prazos menores, os preços para a execução aumentam. É a chamada “taxa de urgência”.

Em sua apresentação, Orlando Silva afirmou aos empresários presentes que os investimentos previstos para a Copa do Mundo de 2014 vão gerar 600 mil empregos diretos e movimentar 55 setores da economia.

O maior desafio, segundo ele, são os aeroportos brasileiros, cuja demanda vem apresentando taxas exponenciais de crescimento. “Será preciso cumprir rigorosamente os planos da Infraero para reformar os 12 aeroportos que farão parte do roteiro da Copa. Serão investidos R$ 6 bilhões”, afirmou Orlando Silva. Ele acrescentou que o Ministério contratou uma empresa de consultoria para desenvolver um modelo que aumente a eficiência e a qualidade dos serviços dos aeroportos.

Questionado pelo presidente do LIDE, João Doria Jr, sobre se a privatização, através do modelo de concessão, não teria sido a melhor saída para resolver o gargalo dos aeroportos brasileiros, Orlando Silva respondeu que seria difícil para os diversos aeroportos deficitários espalhados pelo País.

O ministro do Esporte disse ainda que a Copa do Mundo deve gerar R$ 16 bilhões em tributos para o País. Por isso, não deverá ser um problema para o governo a isenção de impostos da FIFA e de seus parceiros durante a Copa de 2014, incluindo a emissora de televisão que detém os direitos de transmissão dos jogos. No total, a isenção deve somar R$ 500 milhões.

Durante a apresentação de Orlando Silva, o deputado federal Cândido Vacarezza afirmou que nunca houve uma discussão sobre a privatização de aeroportos no País, e sim envolvendo apenas o Galeão, no Rio de Janeiro. “Qualquer um pode construir um aeroporto. Não há obrigatoriedade de ser uma obra do governo. Mas quem já viajou pelo mundo não vê grande diferença entre nossos aeroportos e os internacionais”, afirmou o deputado, arrancando reações da platéia.

“A demanda dos aeroportos brasileiros tem crescido numa taxa de 15% a 20% ao ano, e em 2010 pode chegar a 30%. Por mais investimentos que se faça, sempre haverá uma defasagem. Temos um problema real de crescimento acelerado”, acrescentou Vacarezza.

Orlando Silva ressaltou também aos empresários que o mundo espera do Brasil uma preparação para a Copa dentro dos conceitos de sustentabilidade. “Esperam o uso de energia solar, reaproveitamento de água da chuva, além de investimentos em transporte coletivo de matriz energética limpa, como é o caso dos trilhos”, explicou o ministro.
BRASIL PODE SAIR GANHANDO SE FORTALECER IMAGEM COMO ECONOMIA VERDE, DIZ FURLAN

Para o ex-ministro, que participou do 9º Fórum Empresarial de Comandatuba, sustentabilidade pode ser um diferencial lucrativo, assim como a qualidade dos produtos

Comandatuba, 23 de abril de 2010 – O Brasil poderia investir no reposicionamento de sua imagem, com foco na economia verde, para vender seus serviços ao mundo. Foi o que sugeriu hoje o ex-ministro da Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, que também é presidente do Conselho de Administração da BR Foods. “Quando se compra um produto japonês, aceita-se pagar mais pela qualidade em comparação aos produtos chineses, por exemplo. O mesmo pode acontecer com o Brasil. Qualidade é diferencial, sustentabilidade também”, disse o ex-ministro aos empresários que participam do 9º Fórum Empresarial promovido pelo LIDE – Grupo de Líderes Empresariais em Comandatuba, na Bahia.

A idéia de Furlan foi uma forma de mostrar aos empresários que o investimento em ideias e em tecnologia que reduzam ou zerem o impacto da produção ao meio ambiente, embora representem aumento de custo em um primeiro momento, poderão gerar bons resultados no futuro. “O consumidor aceita pagar mais por um produto ambientalmente correto? Geralmente não. Mas as empresas precisam fazer o que é certo e acreditar que este é o caminho daqui pra frente. A Europa hoje já vive o consumo sustentável no dia a dia”, afirmou o executivo.

“Quanto mais avançar a necessidade de uma economia sustentável, mais restrições teremos em todos os setores que tenham impacto ambiental. Por isso já precisamos pensar em uma evolução tecnológica ligada ao meio ambiente”, acrescentou Furlan.

Para dar início a este reposicionamento de imagem, Furlan sugeriu que o Brasil seja o primeiro país a realizar a Copa do Mundo e as Olimpíadas com as emissões de carbono neutralizadas. E mais: apostou na criação de commodities ambientais que poderiam ser comercializadas, como são atualmente os créditos de carbono na Bolsa de Chicago. “Podemos pensar em coisas semelhantes para a água e o ar. É uma maneira de remunerar os países que possuem reservas florestais”, explicou.

O ex-ministro dividiu o painel com o presidente do SOS Mata Atlântica, Roberto Klabin, que também preside o LIDE Sustentabilidade. Em sua exposição, Klabin afirmou que as políticas públicas são frágeis no que se refere à preservação do meio ambiente e criticou vários projetos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) que seriam considerados ameaças ao meio ambiente, como o Complexo Intermodal Porto Sul na região de Ilhéus, na Bahia, que prevê a construção de porto, ferrovia, rodovia, aeroporto, dentro de uma Área de Proteção Ambiental, a Lagoa Encantada, e o escoamento de minério de ferro para exportação.

“Alguns políticos vendem a ideia de que o meio ambiente é um entrave ao desenvolvimento. O que impede nosso crescimento sustentável é a falta de vontade política”, disse Klabin. “Costumamos atribuir a terceiros a vontade de tomar nossas riquezas, dizemos que isso é uma ameaça à nossa soberania, quando na verdade eles estão apenas falando com base na experiência que tiveram”, continuou.

Aprovação acelerada - Durante o painel, o presidente da TetraPak, Paulo Nigro, aproveitou a presença de alguns senadores na mesa debatedora para pedir atenção especial à Lei dos Resíduos Sólidos, aprovada recentemente na Câmara, após 19 anos de espera. “Ajudem-nos a tirar o Brasil da era medieval”, pediu o empresário. O senador Romero Jucá, um dos participantes, garantiu que a lei será votada em até três meses e, que se for necessário algum ajuste, pode ser feito através de Medida Provisória posterior. “Melhor do que uma lei perfeita é uma que avance”, afirmou Jucá, aplaudido pela platéia.

Segundo Paulo Nigro, as redes de reciclagem que atuam hoje no País empregam cerca de 450 mil pessoas na informalidade. Do total de 150 mil toneladas diárias de resíduos sólidos produzidas em todo o território nacional, apenas 6% são reciclados. “Trata-se de um grande projeto de inclusão social. Se conseguíssemos, por exemplo, aumentar este índice de reciclagem para 18%, dentro desta nova Lei de Resíduos Sólidos, já teríamos 1,5 milhão de pessoas trabalhando na formalidade”, disse.
  Mais informações para imprensa:
CDN – Comunicação Corporativa: www.cdn.com.br
Tel: (11) 3643.2790
Carolina Lazareth: carolina.lazareth@cdn.com.br
Isabel Lopes: ilopes@cdn.com.br
 
     
 
© Doria Associados - Todos os direitos reservados