Em sua oitava edição, o 8º FÓRUM EMPRESARIAL/ 2º FÓRUM DOS GOVERNADORES, reunirá os maiores dirigentes políticos e empresariais do Brasil para discutir um tema de grande relevância: Sustentabilidade.
O 8º FÓRUM EMPRESARIAL de Comandatuba aprofundou os debates sobre o tema e fez uso da força empresarial brasileira para incentivar a consciência ambiental no Brasil. Dia 19, foi abordado o tema Sustentabilidade Econômica, apresentado pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. No dia 20, segunda, EDUARDO BRAGA, governador do Amazonas, falou sobre Sustentabilidade Ambiental.
Diversos ministros do governo Lula estavam presentes ao evento: JOSÉ MÚCIO MONTEIRO (Relações Internacionais), EDISON LOBÃO (Minas e Energia), REINHOLD STEPHANES (Agricultura), GEDDEL VIEIRA LIMA (Integração Nacional) e ORLANDO SILVA (Esportes). Além dos presidentes da Câmara Federal, deputado MICHEL TEMER. Durante o evento, foi lançado oficialmente o LIDE SUSTENTABILIDADE, presidido pelo empresário ROBERTO KLABIN, reconhecido pela qualidade de seus projetos à frente da Fundação SOS Mata Atlântica. “Estamos organizando as ações do Lide SUSTENTABILIDADE no 8º FORUM, em Comandatuba, para ser importante e conclusivo debate ambiental entre governo e setor privado”.
Promovido pelo LIDE – Grupo de Líderes Empresariais, o FÓRUM, cumpriu seu papel na defesa da ética e eficiência na gestão pública, assim como no compromisso, com o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Em menos de seis anos, o LIDE reúne mais de 500 empresas privadas no país.
REMUNERAÇÃO AMBIENTAL É SAÍDA PARA PRESERVAR FLORESTAS, DIZ GOVERNADOR DO AMAZONAS
Eduardo Braga afirma que pobreza e falta de oportunidades contribuem com o desmatamento nas florestas
A remuneração dos serviços ambientais pode ser a chave para a preservação das florestas. Essa foi a avaliação feita ontem (20) pelo governador do Amazonas, Eduardo Braga, que debateu com empresários e lideranças políticas questões voltadas à “Sustentabilidade Ambiental”, tema do 8º Fórum Empresarial/2º Fórum de Governadores, encontro promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (LIDE) em Comandatuba, na Bahia.
Para Eduardo Braga, a floresta amazônica não é um problema, e sim a solução. Com um investimento anual de US$ 1,1 bilhão, disse, é possível preservar os recursos naturais só com monitoramento e policiamento da região. Se considerar os investimentos sociais, que permitam à população agregar boas práticas de uso e manejo da floresta, além de criação de alternativas de geração de renda, esse valor pode chegar a US$ 5,7 bilhões.
O governador descreveu ainda ser falsa a afirmação de que a floresta amazônica seja neutra, ou seja, que consuma tudo o que produz. E criticou o fato de as florestas ficarem de fora do Protocolo de Kyoto no que se refere à remuneração por serviços se seqüestro de gás carbônico.
Eduardo Braga defendeu a conscientização das comunidades locais como forma de proteger as florestas, através da remuneração pelos serviços ambientais. “Eles precisam entender que a floresta tem muito mais valor em pé do que desmatada. Se alguém tentar, por exemplo, derrubar uma andiroba, certamente encontrará resistência por parte dessas comunidades. Muitas delas, através do nosso programa de Bolsa-Floresta, já perceberam que podem ganhar muito mais com os frutos da andiroba do que com sua madeira cortada”, explicou o governador. “A pobreza e a falta de oportunidades infelizmente contribuem com o desmatamento.”
De acordo com o governador, 98% da cobertura vegetal do Amazonas está preservada, e as áreas protegidas hoje estão em torno de 52%.
PRESIDENTE DO BC ALERTA PARA OTIMISMO EXAGERADO E PEDE EQUILÍBRIO AO MERCADO
Para Henrique Meirelles, Brasil está no caminho da retomada do crescimento; porém, ainda não é hora de euforia
O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, recomendou hoje, em sua apresentação durante o 8º Fórum Empresarial/2º Fórum de Governadores, promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (LIDE) em Comandatuba, na Bahia, uma dose de "equilíbrio" ao mercado financeiro, em função da onda de otimismo provocada pelos recentes números da economia brasileira, que indicam que alguns setores começam a se recuperar da crise internacional. "É preciso ter confiança sem perder a noção da realidade. Não podemos nos deixar levar pelo humor do momento", afirmou Meirelles.
Durante sua apresentação feita para 700 pessoas, entre empresários, ministros, governadores e senadores, e cujo tema foi a "Sustentabilidade Econômica", Meirelles destacou números setoriais - como a recuperação da indústria automobilística, cuja produção em março voltou para os níveis pré-crise - que, segundo ele, indicam que o Brasil segue uma rota de recuperação econômica, e colocou o País em destaque em relação aos demais no enfrentamento da crise. Porém, apontou um otimismo exagerado. "Não podemos ficar eufóricos, achar que agora tudo é uma maravilha. Senão, o primeiro sinal negativo pode gerar uma nova onda de decepções", explicou.
"Já sabemos, por exemplo, que a produção no primeiro trimestre do ano não foi bem, pois estávamos saindo de um período de grande retração econômica. Esse número, porém, só será divulgado em junho. Ou seja, esse resultado, ainda que se refira a uma fase já superada, pode frustrar o mercado, se entrarmos numa onda de euforia otimista", acrescentou Meirelles.
Um diferencial da economia brasileira em relação ao resto do mundo na superação da crise é a perspectiva de estabilidade e solidez, na avaliação do presidente do BC: "O Brasil e a China são os únicos países que enfrentarão esses desafios sem desequilíbrios. Em outros tempos, quando passamos por situações semelhantes, acabávamos trocando crise externa por crise interna, com inflação ou problemas fiscais".
Para Meirelles, o que evitou uma crise sistêmica no Brasil foi o volume das reservas internacionais. Os depósitos compulsórios, no auge da crise, atingiram o patamar de US$ 259 bi. "O Brasil reagiu bem e deve sair mais rápido desta crise que a maioria dos países. E mais forte."
Juros e crédito - Em sua apresentação, Meirelles destacou que a taxa de juros (Selic) deve seguir a tendência de queda no médio prazo, mas evitou citar prazos. "A Selic já atingiu o menor nível da história", afirmou.
Uma das conseqüências dessa queda, de acordo com Meirelles, é a questão da remuneração da caderneta de poupança. "Na hora de tomar dinheiro emprestado, todos nós queremos juros baixos. Mas na hora de remunerar nosso investimento, queremos os juros mais elevados. Esse é um desafio que teremos que enfrentar. Esse assunto será pauta do Congresso Nacional", explicou o presidente do BC.
Ele confirmou que haverá mudanças nas regras da caderneta de poupança, mas o assunto ainda está em discussão pela equipe econômica. Também estão a caminho algumas medidas para estimular o crédito, como o "Cadastro Positivo", um banco de dados que reúne informações de pagamento dos consumidores e de empresas, e que pode servir de referência para que os bancos possam oferecer juros menores.
Os bancos públicos também terão papel fundamental nesse processo, disse Meirelles. Atualmente, 50% de todo o crédito no País está nas mãos dos bancos públicos. "Cabe a eles esse papel de condutor do processo de recuperação do crédito", avaliou. Outra alternativa é o leilão de dólares sem direcionamento. Semelhante aos leilões realizados para financiar o comércio exterior, neste caso os dólares adquiridos pelas instituições financeiras podem ter múltiplas aplicações, como viabilizar empréstimos para as empresas.
Todos estes itens, aliado a outros fatores - como redução da inadimplência e dos impostos - vão impulsionar a redução dos spreads bancários. "Os spreads ainda estão muito elevados e precisam cair mais. Com essas medidas, essas taxas vão cair naturalmente."
Congresso - O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB), disse que a implantação do Cadastro Positivo será o primeiro passo da Casa após o destrancamento da pauta de votações, atualmente obstruída pelas Medidas Provisórias. Um acordo de líderes já foi fechado para votar, até a próxima semana, seis MPs que estão trancando a pauta.
Também serão retomadas as discussões sobre a reforma tributária, um item cobrado pelos empresários durante o evento. "É preciso equacionar os interesses dos envolvidos. O caminho já foi amplamente percorrido, mas ainda falta muito", afirmou Temer.
Já o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) mostrou pessimismo sobre o assunto. "Não acredito na reforma. Há 25 anos já se fala no assunto, sem avanços. Eu mesmo propus uma reforma que passe a vigorar a partir de 2014, para que o próximo governo, que será eleito em 2010, possa fazer a transição para essa nova realidade. Caso contrário, ficaremos nessa briga entre Norte, Nordeste e Sul", explicou.